Porto Cai Na Rede: A maior ação de mídias sociais já realizada no Brasil

Nota: Cross Post a convite do Google Discovery.
Não tem como esquecer, às 10h06 do dia 28 de Setembro recebi a notícia de que, mais uma vez, a sorte estava do meu lado. Aos 48 da prorrogação do segundo tempo, fui sorteada para me juntar ao time de 45 blogueiros que iriam conhecer as belezas de Porto de Galinhas à convite da Secretaria de Turismo de Ipojuca. Começava o Porto Cai na Rede, provavelmente a maior ação de mídias sociais no Brasil – e com certeza a mais bem sucedida. Foram 4 dias, de 1º à 4 de Outubro, para cumprir o objetivo mais difícil do mundo: descobrir o que fez de Porto de Galinhas ser eleita 8 vezes consecutivas a melhor praia do Brasil pelos leitores da Viagem e Turismo.
A viagem
A organização teve a ótima ideia de dividir os hotéis por sorteio, o que acabou integrando bastante o pessoal. Fiquei no aconchegante Marulhos Suítes Hotel, em uma praia ao norte de Porto de Galinhas chamada Muro Alto, em companhia do Renê Fraga, do Humberto Oliveira (OButeco) e do Guilherme Valadares (Papo de Homem). Quase não deu tempo de aproveitar as enormes e quentinhas piscinas do hotel, todos os dias saíamos às 8 da matina para o nosso tour diário.
Não paramos um minuto e, mesmo assim, não deu tempo para sentir cansaço, tudo o que nos propunham a fazer era deslumbrante. E olha que morei em Recife por 20 anos, Porto de Galinhas foi meu quintal. Tive a oportunidade de ver tudo como turista e fazer coisas que muitas vezes deixamos de fazer pela proximidade. Já no primeiro dia uma novidade para mim, nossos anfitriões (Eden, Buchecha, Claudia, Yeltsin, Cab, Helio, Leandro, Darkside) nos apresentaram o turismo rural com um longo e divertido passeio de jipe até a Cachoeira do Urubu. Aos poucos todos foram perdendo a timidez, subimos no Jipe e paramos a cidade de Primavera com a nossa passagem. O passeio tem direito à almoço e cochilo à “beira-cachoeira”, merecidos. À noite, jantar e baladinha no Hotel Village Porto de Galinhas.
Bugues nos levaram ao passeio do 2º dia: as famosas piscinas naturais de Porto de Galinhas. O tradicional passeio de jangada e a caminhada nos corais com a maré baixinha. Fiquei feliz em ver as bóias que delimitavam os corais em perigo – os jangadeiros nos instruíam a aproveitar toda aquela beleza sem destruí-la. Peixinhos alimentados, hora de tomar drinks e conhecer as muralhas da praia de Muro Alto, no Marupiara Suítes. Caipirinhas e muita sensualidade na hidroginástica, tomar caldinho de peixe e beber cerveja sentados com a cadeira dentro do mar, nada teve preço. Almoço farto no Solar Porto de Galinhas, todos correndo para provar o famoso bolo de rolo – e nada de chamar de rocambole de goiaba, se você tem amor a sua vida. Depois de uma visita ao artesão Carcará, idealizador das galinhas símbolo da praia – feitas com restos de coqueiro e decoram toda cidade – fomos para a praia que eu, particularmente, mais gosto: Maracaípe, logo ao sul. Pena que não deu tempo de surfar, mas só de ver o pôr-do-sol no Pontal de Maracaípe já valeu por tudo. De jangada, fomos conhecer o mangue repleto de cavalos-marinhos e caranguejos. Estes últimos foram devorados ao final do passeio – foi bem engraçado ver o pessoal literalmente se batendo para quebrar as patolas dos bichos com os martelinhos.
A noite mais aguardada da viagem foi na sexta: o casamento do Caio (Brogui) com a Luiza (EuCapricho), no luxuosíssimo e all incusive Enotel. Com direito a transmissão pela TV, hóspedes curiosos, fogos de artifício e uma lua-cheia absurdamente linda. A festa foi embalada pelos DJs da turma: George (GordoNerd) e Raphael (Bobagento). Para os que achavam que nerds não bebem nem dançam, foi uma prévia de interação e diversão da noite que viria.
Não importou a noite mal dormida, às 8 horas estávamos pontuais à espera do ônibus que nos levaria à Praia dos Carneiros, alguns quilômetros ao sul de Porto. Existe um caminho direto pela estrada, passando pela praia de Tamandaré, mas o melhor mesmo foi atravessar o rio de Catamaran. Camarões que já estávamos, o lugar à sombra nunca foi tão disputado. Mas, aos poucos, a vontade de apreciar a paisagem foi maior do que o medo de se queimar (mais) e vários se deliciaram nas águas represadas por arrecifes. O entrosamento do grupo, muito beneficiado pelo jeito falante e animado dos nossos anfitriões pernambucanos, já dava uma dica do que seria a nossa noite.
Depois das compras na Villa de Porto de Galinhas, fomos ao Santeria – “bar latino”. O camarote era nosso, depois da primeira virada coletiva de tequila e alguns outros vira-viras de Pitu, ficou claro o maior feito do Porto Cai na Rede: transformar os 45 blogueiros e o pessoal da produção em uma coisa só: uma turma de amigos. Era muito claro o quanto todos vestimos a camisa do evento, tanto a produção quanto os convidados. Foi nessa noite também que o Luide (Luide e o Tempo) mostrou seus dotes artísticos, conquistando todo mundo.
Infelizmente meu vôo saiu cedo e não pude acompanhar a goleada histórica e televisionada do Íbis – “o pior time do mundo” – sobre os Blogueiros, também perdi o almoço no lindo Resort Nannai. Mas, sem sombra de dúvidas, fui embora com a sensação de que estava deixando o paraíso. Em 3 dias de passeios deu para ver que Porto de Galinhas é muito mais do que só a pequena praia dos meus tempos de veraneio por lá. Se você tem Twitter, já deve ter notado que o “Porto Cai na Rede feelings” é generalizado, que foi inevitável ir embora sem ficar com um gostinho de quero mais.
O mais interessante em participar de uma ação desse porte foi poder acompanhar toda a logística de distribuir, transportar, entreter e agradar tantas pessoas acostumadas aos mais diversos mimos. E, principalmente, acompanhar os convidados vestindo de coração a camisa do eventos apenas pela experiência vivida durante o Porto Cai Na Rede. Isso merece uma análise detalhada, mas ela fica para quando os resultados oficiais da ação forem divulgados.
Veja as fotos da ação no grupo do Porto Cai na Rede no Flickr.
1 comment Outubro 16, 2009
Ampliando a experiência com o Twitter
O Twitter é muito mais que uma simples ferramenta de micro-blogging, é uma rede social. É possível acompanhar a cobertura de diversos eventos, desde aquele fórum que você não pôde ir, até finais de campeonato, festas, notícias – e o que se puder imaginar.
Mais do que a capacidade de disseminação de informação, acredito que o grande vôo do passarinho azul seja a possibilidade de se obter um feedback praticamente instantâneo de ações. Dá para saber quantas pessoas falaram sobre um tema, acessaram um link, reenviaram uma mensagem, praticamente uma pesquisa qualitativa e quantitativa e melhor ainda, espontânea.
Conheça algumas ferramentas que podem ajudar bastante na captação de dados relacionados ao Twitter.
Twitter Search: a busca oficial do Twitter, por ordem cronológica. Ele avisa quando há resultados novos desde a sua última pesquisa, então fica fácil acompanhar um evento quando o pessoal usa uma #tag.
Twitter Counter: apresenta uma estatística sobre o número de seguidores do seu Twitter. É bem útil para mensurar o aumento de followers depois de uma campanha ou evento, por exemplo.
Tweetburner: diminua seu link, monitore quantos cliques e de onde vieram os acessos. Traz a estatística comparada da quantidade de links postados e dos cliques nos seus links. Se você não tem um link a ser monitorado, ainda pode aproveitar os top10 da hora na página inicial e saber que assunto está pegando fogo no mundo a fora.
Twilert: um Google Alerts para o Twitter. Escolha uma palavra-chave e receba por email atualizações com as mensagens que a usaram. Interessante para manter o controle sobre citações da sua marca ou evento.
Twuffer: agende as suas mensagens! Para quem usa o agendamento de posts em blogs, dá para programar as twittadas com jabás nos horários de maior movimento, ou mandar um lembrete do evento em que você foi e provavelmente nem lembra mais o que é Twitter.
Twistory: a melhor definição que encontrei foi um diário. Ele importa em tempo real suas mensagens do twitter e as separa por data e hora no seu calendário preferido. É muito bom pra lembrar o que estava fazendo naquela sombria quinta-feira do mês passado.
Enfim, dá para fazer muita pesquisa e gerar muita informação valiosa baseando-se no que acontece na “Twittosfera”. Essas são só algumas ferramentas, quais as que você recomenda?
6 comments Dezembro 18, 2008
Animação e Informação
Uma animação muito interessante sobre os perigos da obesidade nos animais. Os traços do Simon são muito bons, a quantidade de detalhes em cada movimento e similaridade com a realidade de um cachorro é impressionante.
3 comments Dezembro 12, 2008
Mais um bom exemplo de não-usabilidade
Estava atualizando meu álbum de referências através do Picasa 2, quando apertei, sem querer, no botão que fecha o programa. Eis que me surge a seguinte mensagem:
Beleza! Observe que a pergunta é “Deseja sair agora?“. Estudando as minhas opções:
- Sair agora – sair agora do programa ou da tela de aviso?
- Vá em frente – vá em frente e saia agora? ou vá em frente e continue meus uploads?
Na dúvida, apertei no x vermelho e consegui manter o programa aberto (que era a minha intenção). Tem outra interpretação dessa tela? Conta aí.
Possível Solução
Pensei primeiramente em “Continuar os uploads”, mas assim conflitaria com a afirmação que está entre parênteses. Seria uma confusão entre: continuaria os uploads depois de fechar (já que iniciei a ação de fechar ao apertar o botão x) ou manteria o programa aberto e os uploads em andamento?
Uma possível solução rápida seria trocar o “Vá em frente” por “Não sair”.
Tendo sempre em mente que, mesmo o meu caso tendo sido um clique acidental (não tinha a intenção de fechar o Picasa2), a mensagem é a resposta de uma ação direta “fechar o programa”. Ou seja, o usuário busca uma reação a ação dele mesmo, o que fez com que “Vá em frente” reafirme a primeira atitude que foi a de fechar o programa.
4 comments Outubro 31, 2008
A importância de padrões de usabilidade e experiência do usuário

A organização do mundo é baseada em padrões. Pense nas placas de trânsito, imagine se em cada cidade elas fossem diferentes e você tivesse que aprender o sistema toda vez que fosse viajar – mentalizou o caos? Na internet não é muito diferente, sites com nomenclaturas variadas para menus, tecnologias diversas em que ações idênticas nem sempre geram o mesmo resultado, entre muitas outras coisas com as quais todos já sofremos. Aí entra a experiência do usuário e os padrões de usabilidade.
Se você vê um botão, espera que ele vá gerar uma ação. Isso se chama modelo mental, é como uma imagem que aparece na cabeça antecipando o funcionamento das coisas de acordo com experiências anteriores. Partindo desse princípio, os ambientes virtuais (o seu sistema operacional, por exemplo) agregam algum valor cultural pré-existente para facilitar a interação com os usuários, como a idéia de janelas que abrem e fecham ou o próprio botão, que recebe um efeito 3D para imitar seu correspondente real. Essa idéia se estende a todos os elementos visuais e funcionais, cores, formas, seqüência, localização…
Parece óbvio, mas para quem cria as interfaces, no caso dos designers um layout, nem sempre é claro que todos os elementos estão dizendo alguma coisa e se não forem bem estudados, podem passar a mensagem errada ou simplesmente deixar passar algo importante. O Magazine Luiza, por exemplo, ignorou totalmente o conceito-padrão das abas de evidenciar um conteúdo enquanto esconde os outros e transformou apenas num enfeite estético.
Por isso, antes de criar um menu mirabolante ou um layout fora do comum achando que inovar é inverter conceitos, pense na experiência como um cliente procurando por alguma informação ou tentando preencher um formulário enorme com campos minúsculos e baixo contraste. Antes de ser bonito, o produto precisa ser funcional, agradar a quem realmente ele veio servir – o usuário. Egos no chão.
Para entender um pouco mais sobre padrões, veja alguns exemplos:
Yahoo! Design Pattern Library
UI-pattern: User Interface Design Pattern Library
UI Pattern Factory
1 comment Outubro 15, 2008
Amigos de Patas
Quando não estou falando de computador, estou no meio da cachorrada. Sempre sonhei em ter um animal de estimação, mas só aos 22 anos veio a Patita. Quando o Queridão, perdidão, se tornou o novo membro da família Reine, me engajei e me tornei voluntária na Sociedade Protetora dos Animais. Com o tempo, fui conhecendo as “cachorreiras” (como carinhosamente as protetoras se chamam) e parti para o mundo das protetoras independentes. Até hoje ainda choro ao receber os e-mails com cães em estados terminais por descaso dos “donos”, por não conseguir atender a todos, mas cada passo – mesmo que pequeno – é um avanço na causa.
Atualmente ajudo a Fabi no CãoPanheiro, divulgando cães perdidos e achados, doações e adoções, fazendo feiras de doação aos sábados, e quando o dinheiro permite (ou o adsense rende), recolhendo, castrando e doando cães de rua.
Desde que comecei com esse trabalho, sempre sonhei em fazer uma feira no Parcão do Museu do Olho e finalmente isso vai se realizar. É a feira CãoParcão, que contará com a presença de várias ONGs vendendo produtos para se manterem, além da doação de cães castrados e vacinados, filhotes e adultos, tanto das ONGs quanto das protetoras independentes. Eis o motivo da minha falta de tempo. Tivemos algumas dificuldades, principalmente por não poder ter patrocínio visível ou venda de produtos para fins lucrativos, mas acredito que será um sucesso. Vá para adotar ou simplesmente para conhecer o trabalho maravilhoso e muitas vezes doloroso que as ONGs e protetoras fazem para dar uma condição de vida aos bichos.
Feira de Doação CãoParcão
28 de Setembro – Sábado – 10h às 17h
Parcão, atrás do Museu do Olho do Niemeyer
Rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico, Curitiba
ONGs participantes
Amigo Animal
Avan
Beco da Esperança
Focinhos
Probem
Quatro Patas
Conheça o blog com as fotos dos animais perdidos ou para doação: Cãopanheiro Curitiba (toda a nossa renda com publicidade é revertida para pagar hospedagem e castração de cães.
Add comment Setembro 18, 2008
Ubiquity: o poder do usuário sobre mashups
Com a “web 2.0″, ganhamos diversas ferramentas dinâmicas API’s e a possibilidade de juntá-las em mashups, criando uma confluência de conteúdo. Basicamente API (Interface de Programação de Aplicativos) são os padrões que um sistema tem e podem ser usados para criar aplicações novas em cima das funcionalidades dele, como os plugins do seu navegador. Só que criar esses mashups está longe do alcance da maioria das pessoas, necessitando de conhecimentos em programação, por exemplo.
A idéia do Ubiquity, do Mozilla Labs, é dar poder ao usuário comum sobre essas ferramentas, juntá-las de acordo com a necessidade individual e lidar com elas através de comandos via teclado. Assim, tarefas que antes precisavam de muitas pesquisas em diversas fontes se resolvem com apenas uma linha de comando. Você poderia, por exemplo, combinar com os amigos um encontro em um bar e já anexar mapa, notícias e fotos no corpo do email, sem precisar copiar e colar ou de uma enxurrada de links enormes. Por enquanto, ele ainda está como protótipo na versão alfa 0.1, mas pode ser baixado para testes.
O conceito do programa vai mais além e abre uma discussão saudável sobre a eficiência entre uso de interfaces gráficas (janelas, ícones, menus e setas) e linhas de comando.
Clique na imagem para assistir ao video e ter uma idéia mais clara de como funcionará esse plugin para o Firefox.
Ubiquity for Firefox from Aza Raskin on Vimeo.
2 comments Agosto 27, 2008
Criatividade, corte e costura
Se eu tenho um lado mulherzinha, ele provavelmente envolve tecidos coloridos, padronagem e costura. Quem sentava na frente da máquina de costura e fazia roupa de barbie (para vender para as amiguinhas) vai adorar o Spool Sewing. O blog do site oferece diversas idéias para costura, como bolsas, bichos, almofadas e roupas – além do show de inspiração que são as padronagens dos tecidos. Se você mora nos EUA, pode fazer uma aula com eles.
- Máquinas de Costura da Spool Sewing
- Tecidos da Spool Sewing
Add comment Agosto 12, 2008
A Arquitetura da Informação no desenvolvimento de Projetos para Web
Este artigo foi criado para a disciplina de Gerenciamento da Produção do curso de Tecnologia em Artes Gráfica da UTFPR.
Palavras-chave
Arquitetura da Informação; Usuário; Projeto Web
01. INTRODUÇÃO
Este estudo pretende esclarecer a necessidade de aplicar as premissas da Arquitetura da Informação no desenvolvimento de projetos para web, explicitando métodos e ferramentas que fazem parte do processo.
A Internet tem crescido em tamanho e importância no cotidiano da sociedade. Com isso, o volume de informação disponibilizada na rede mundial de computadores se torna quase infinito, mas seu acesso não se apresenta necessariamente de forma organizada. Os usuários têm à disposição diversas opções e a organização inteligente desse conteúdo se torna vital para conquistar a atenção do público desejado. A Arquitetura da Informação tem o papel de tornar a navegação de sistemas de informação, neste caso websites, o mais fácil e claro possível para que o usuário consiga encontrar a informação que busca.
02. METODOLOGIA
A metodologia empregada foi a de revisão de literatura para aumentar a extensão e a profundidade dos conteúdos investigados. (SANTOS, 2001)
03. DESENVOLVIMENTO
3.1 Definição de Arquitetura da Informação
Arquitetura da Informação (A.I.) é a combinação entre esquemas de organização, nomeação e navegação dentro de um sistema de informação. (LOU e PETER, 1998) Cabe ao arquiteto da informação desenhar uma solução otimizada para a distribuição da informação, respeitando as necessidades, limitações e peculiaridades dos usuários do sistema, neste caso sites na internet – ou websites.
O público deve ser capaz de encontrar a informação que necessita no menor tempo possível e da forma mais intuitiva, evitando a frustração com o meio e a transferência dessa frustração para a marca a qual o site representa. Para isso, é imprescindível conhecer bem as características dos futuros usuários, ter consciência da finalidade do website (o contexto) e dominar a informação a ponto de conseguir distribuí-la eficazmente.
Os limites da aplicação da A.I. ainda não estão bem definidos, é um processo recente, mas os estudos sobre o assunto crescem em quantidade e qualidade. Alguns defendem que seu objeto de estudo deve se limitar à organização do conteúdo textual e o fluxo da sua navegação, mas neste artigo será considerado que o contexto, por definir a qualidade do conteúdo e ser determinante na experiência do usuário, também faz parte do processo, e por isso deve ser estudado e definido dentro da A.I.. Logo, pode-se considerar que a Arquitetura da Informação engloba tecnologia – forma, design – apresentação e texto – conteúdo.
3.2 A Arquitetura da Informação no Projeto Web
A primeira etapa de um projeto é o briefing, documento no qual são definidos objetivos e prioridades. Com esses dados em mãos, o arquiteto da informação irá elaborar estudos, planejar funcionalidades e entregar documentos (deliverables) que orientarão os processos de programação, criação de layout e testes de usabilidade.
A Arquitetura da Informação se encontra na fase de planejamento, sendo de extrema importância para alcançar o retorno definido na fase do briefing. Por meio dela, é possível segmentar o processo, facilitando a detecção de problemas de aplicação e suas correções. É um processo que funciona de maneira ótima no início de um projeto (Figura 1), mas que também pode ser aplicado em projetos já concretizados, como forma de corrigir problemas encontrados em testes de usabilidade.
Muitas vezes é uma etapa ignorada no projeto web, tendo a criação do layout logo após a coleta de informações, o que freqüentemente gera um produto sem foco claro e com graves problemas de interação com o usuário pela falta de planejamento.
FIGURA 01. ELEMENTOS DE UM PROJETO WEB
FONTE: http://www.jjg.net/elements/translations/elements_pt.pdf
3.3 Aplicação, Ferramentas e Documentação
Para facilitar o entendimento, pode-se observar a aplicação da A.I. por etapas. Abaixo serão apresentadas algumas aplicações e respectivas ferramentas consideradas importantes.
O conteúdo textual precisa ser organizado e rotulado para que o usuário possa encontrá-lo facilmente, para isso, é dividido em pedaços que receberão rótulos e estes rótulos poderão ser agrupados, os grupos rotulados e assim sucessivamente. O card sorting (Figura 2) é uma ferramenta aplicada para entender como o usuário organiza as informações na mente, sendo eficaz para definir os rótulos mais próximos da realidade do público-alvo. Basicamente trata-se da distribuição de cartões com rótulos ou conteúdo, para que o usuário faça a correspondência que considera lógica, em alguns casos os rótulos são preenchidos pelo próprio usuário.
FIGURA 02. APLICAÇÃO DE CARD SORTING
FONTE: http://www.flickr.com/photos/skillclouds/2595306341/
Definidos os rótulos, é necessário definir o fluxo da navegação, ou seja, os caminhos que o usuário percorrerá até cada informação. Esse processo de navegação pode ser representado por meio de fluxogramas (Figura 3) que são bases para outra ferramenta, o mapa do site – lista hierárquica com links diretos para os conteúdos das páginas. O fluxograma não depende necessariamente da rotulação.
FIGURA 03. FLUXOGRAMA DE NAVEGAÇÃO
http://www.flickr.com/photos/henriquecostapereira/1392820227/
Com a organização mental do texto definida, é necessário determinar a localização desse conteúdo na página física, a interface. Essa distribuição deve considerar tanto elementos textuais quanto imagens e animações, e deve ser feita aplicando conceitos de diagramação para evidenciar a hierarquia de importância das informações. Desenvolve-se o rascunho da página apontando a localização dos itens, o wireframe (Figura 4), como numa planta de arquitetura.
FIGURA 04. WIREFRAME
FONTE: http://webinsider.uol.com.br/index.php/2003/12/09/wireframe-documento-cada-vez-mais-importante/
Para garantir que os estudos feitos terão resultados próximos do esperado, são feitos testes de usabilidade nos quais os usuários são submetidos a simulações do website. Protótipos feitos de papel ou virtuais são usados para que as pessoas tentem encontrar uma informação específica e relatarem suas dificuldades ou afirmarem seu sucesso.
04. CONCLUSÃO
A Arquitetura da Informação é uma ferramenta poderosa na organização do conteúdo, tornando-se uma etapa imprescindível na criação de websites realmente direcionados para o usuário. É um processo cíclico que, fazendo uso de outros processos como as análises de usabilidade, pode facilitar ainda mais a navegação pela Internet, tornando as informações cada vez mais acessíveis para as pessoas por meio de uma navegação instintiva.
Os produtos resultantes dos processos da Arquitetura da Informação são três documentos. O wireframe, para facilitar a integração com a criação artística do layout informando a posição dos elementos gráficos principais; O fluxograma de navegação, definindo o curso das informações; e o mapa do site, relatando a divisão hierárquica dessas informações.É possível aplicar os conceitos da A.I. em qualquer tipo de projeto web, decidindo quais etapas serão necessárias de acordo com tamanho, prazo e recursos a serem utilizados.
Arquitetura da informação para os que chegam agora
A arquitetura da informação segundo Lou e Peter
Arquitetura de Informação, Usabilidade e Web Design
Laboratório de Utilizabilidade da Informática
O que é arquitetura de informação em websites
Organizando websites com os parâmetros da Arquitetura da Informação
Por que você precisa de um arquiteto da informação?
The Elements of User Experience by Jesse James Garrett
Wireframe, documento cada vez mais importante
Add comment Junho 30, 2008
O cliente não sabe o que precisa (mas sabe o que não quer)
É um fato bem comum em briefings: esperar a resposta para os problemas do cliente perguntando o que ele quer. Acredite, na maioria das vezes ele não sabe, nem faz idéia. Certo ele, somos contratados para dar soluções e não para fazer o cliente pensar. Descubra os limites do que não se quer e trabalhe as soluções dentro disto. Nesse contexto, você conseguirá um espaço para solucionar de forma criativa os problemas pontuais do cliente, correndo menos riscos de ter que refazer todo o trabalho – ou ter que publicar um Frankeinstein que não tem coragem nem de assinar.
Ao contrário do aplicado geralmente, briefing não é um questionário, é a definição inicial do projeto, um guia para saber por onde ir. E antes de definir um produto ou layout, é preciso saber quais as necessidades do público-alvo do cliente, veja bem, do público. Quando se pergunta para o cliente coisas do tipo “quais cores gostaria de usar”, é como se dissesse “o que você, fulano, quer?”. Pergunte o que ele não quer ver e proponha suas soluções para a situação comercial dele (e não para o gosto).
Quando se dá espaço para decidir detalhes do projeto em que base teórica e estudo de caso são cruciais, o profissional começa a se tornar “marionete” do cliente, rebaixado a mero de operador de software para realizar vontades pessoais – perde a posição de provedor de soluções. Ele não pode pensar que é capaz de fazer o seu trabalho, a partir daí não importa quantos cursos, livros e faculdades você tem, o seu valor já foi perdido.
Depois do estrago feito, a culpa (e as reclamações) sobrarão para você. E não adianta reclamar que a culpa é do mal gosto alheio, se algo foi escolhido, então existiram opções e dentre as opções estava alguma coisa que não serviria como solução no projeto. Exemplo prático: depois de ouvir todas as idéias mirabolantes do cara, você resolve criar uma opção em cima daquilo com a desculpa de que “ele vai ver como ficou horroroso”. Se ele imagina uma coisa daquele jeito, é bem provável que ele vá gostar, e até decidir que aquilo é melhor para ele do que o layout estruturado e direcionado que você levou horas fazendo. Sendo assim, o seu trabalho foi feito pelo cliente e não para o cliente. Ou faltou direcionamento pelo profissional, ou o cliente não era para você.
E o seu público-alvo?
E sim, acredito que existem clientes certos e errados, assim como designers cujo estilo é bem específico.
Fazendo uma analogia entre layout e roupa:
- A cliente é uma mulher esbelta, alta, bonita, executiva de uma grande empresa, se ela for na C&A comprar uma roupa, vai poder se vestir, pode até ficar apresentável, mas dentro do ambiente em que trabalha, provavelmente se destacará negativamente pois o tecido da roupa não é fino, o acabamento é menos cuidadoso, o caimento não é perfeito – além de correr o risco de estar igualzinha a sua secretária.
- Steve Jobs precisa de um site para o iPhone e vai ao Template Monsters comprar um layout. Os layouts são até bem executados, têm mil efeitos, tem espaço para todas as informações, mas outras 10 pessoas de qualquer área terão o mesmo layout.
Se o cliente tem um produto superior e pensa pequeno, é menos complicado de mostrar como exclusividade e individualização farão a diferença para o seu negócio (manter a imagem diferenciada, no caso da executiva e do iPhone), do que convencer o cliente pequeno (a secretária ou os compradores de templates) de que eles precisam investir em tecnologia e soluções exclusivas, que isso é essencial.
São dois públicos diferentes e não adianta tentar vender a mesma coisa para os dois. Se o seu trabalho engloba soluções totalmente inovadoras e diferenciadas com tecnologia de ponta, consumindo grande quantidade de recursos – tempo e pesquisa, provavelmente será uma dor de cabeça trabalhar com clientes pequenos que precisam de soluções simples, perdendo tempo com propostas complexas. De outra forma, se você prefere lidar com soluções práticas e de pequena dimensão, terá dificuldades em lidar com a complexidade de um cliente grande cheio de necessidades e complicações.
Tenha consciência do seu trabalho, escolha bem o cliente e proponha somente as melhores soluções. Se você está aí só para ganhar dinheiro, ponha o seu operador de software no comando e boa sorte.
Para saber mais:
Arquitetura da informação
Design de Interação
Padrões no Design de Interação
(Tirando, aos poucos, os três anos de ferrugem dos dedos.)
1 comment Maio 9, 2008



















