Posts Taggedbriefing

O cliente não sabe o que precisa (mas sabe o que não quer)

É um fato bem comum em briefings: esperar a resposta para os problemas do cliente perguntando o que ele quer. Acredite, na maioria das vezes ele não sabe, nem faz idéia. Certo ele, somos contratados para dar soluções e não para fazer o cliente pensar. Descubra os limites do que não se quer e trabalhe as soluções dentro disto. Nesse contexto, você conseguirá um espaço para solucionar de forma criativa os problemas pontuais do cliente, correndo menos riscos de ter que refazer todo o trabalho – ou ter que publicar um Frankeinstein que não tem coragem nem de assinar.

Ao contrário do aplicado geralmente, briefing não é um questionário, é a definição inicial do projeto, um guia para saber por onde ir. E antes de definir um produto ou layout, é preciso saber quais as necessidades do público-alvo do cliente, veja bem, do público. Quando se pergunta para o cliente coisas do tipo “quais cores gostaria de usar”, é como se dissesse “o que você, fulano, quer?”. Pergunte o que ele não quer ver e proponha suas soluções para a situação comercial dele (e não para o gosto).

Quando se dá espaço para decidir detalhes do projeto em que base teórica e estudo de caso são cruciais, o profissional começa a se tornar “marionete” do cliente, rebaixado a mero de operador de software para realizar vontades pessoais – perde a posição de provedor de soluções. Ele não pode pensar que é capaz de fazer o seu trabalho, a partir daí não importa quantos cursos, livros e faculdades você tem, o seu valor já foi perdido.

Depois do estrago feito, a culpa (e as reclamações) sobrarão para você. E não adianta reclamar que a culpa é do mal gosto alheio, se algo foi escolhido, então existiram opções e dentre as opções estava alguma coisa que não serviria como solução no projeto. Exemplo prático: depois de ouvir todas as idéias mirabolantes do cara, você resolve criar uma opção em cima daquilo com a desculpa de que “ele vai ver como ficou horroroso”. Se ele imagina uma coisa daquele jeito, é bem provável que ele vá gostar, e até decidir que aquilo é melhor para ele do que o layout estruturado e direcionado que você levou horas fazendo. Sendo assim, o seu trabalho foi feito pelo cliente e não para o cliente. Ou faltou direcionamento pelo profissional, ou o cliente não era para você.

E o seu público-alvo?

E sim, acredito que existem clientes certos e errados, assim como designers cujo estilo é bem específico.
Fazendo uma analogia entre layout e roupa:

  1. A cliente é uma mulher esbelta, alta, bonita, executiva de uma grande empresa, se ela for na C&A comprar uma roupa, vai poder se vestir, pode até ficar apresentável, mas dentro do ambiente em que trabalha, provavelmente se destacará negativamente pois o tecido da roupa não é fino, o acabamento é menos cuidadoso, o caimento não é perfeito – além de correr o risco de estar igualzinha a sua secretária.
  2. Steve Jobs precisa de um site para o iPhone e vai ao Template Monsters comprar um layout. Os layouts são até bem executados, têm mil efeitos, tem espaço para todas as informações, mas outras 10 pessoas de qualquer área terão o mesmo layout.

Se o cliente tem um produto superior e pensa pequeno, é menos complicado de mostrar como exclusividade e individualização farão a diferença para o seu negócio (manter a imagem diferenciada, no caso da executiva e do iPhone), do que convencer o cliente pequeno (a secretária ou os compradores de templates) de que eles precisam investir em tecnologia e soluções exclusivas, que isso é essencial.

São dois públicos diferentes e não adianta tentar vender a mesma coisa para os dois. Se o seu trabalho engloba soluções totalmente inovadoras e diferenciadas com tecnologia de ponta, consumindo grande quantidade de recursos – tempo e pesquisa, provavelmente será uma dor de cabeça trabalhar com clientes pequenos que precisam de soluções simples, perdendo tempo com propostas complexas. De outra forma, se você prefere lidar com soluções práticas e de pequena dimensão, terá dificuldades em lidar com a complexidade de um cliente grande cheio de necessidades e complicações.

Tenha consciência do seu trabalho, escolha bem o cliente e proponha somente as melhores soluções. Se você está aí só para ganhar dinheiro, ponha o seu operador de software no comando e boa sorte.

Para saber mais:
Arquitetura da informação
Design de Interação
Padrões no Design de Interação

(Tirando, aos poucos, os três anos de ferrugem dos dedos.)

1 comment Maio 9, 2008


Feeds

Tópicos recentes

Tags

achados adoção Animais animação arquitetura da informação arte briefing busca cliente costura desenho design doação experiência feira interação midias sociais Mídia Social padronagem perdidos pesquisa projeto solução twitter usabilidade usuário

Arquivos

Blogroll

Fotos do Flickr

Folder 8a Feira do Cãopanheiro

E-mail Mkt - Novas Lojas - Largo Curitiba

E-mail Mkt - Dia da Árvore - Meu Móvel de Madeira

More Photos

RSS Twitter